quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Escurecimento Global pode ser pior que o aquecimento?









Por Paula Scheidt, CarbonoBrasil com informações da BBC Brasil, The Guardian, N.Y Times e ABC News

A mídia nunca deu muita importância, especialistas climáticos falam pouco ou não prestam a devida atenção e os relatórios do IPCC nem ao menos o citam.

O escurecimento global é a diminuição da quantidade de radiação que chega à superfície terrestre que, paradoxalmente, pode significar que o aquecimento global é muito mais ameaçador do que se pensava.

Muitas pesquisas foram publicadas nos anos 90 sobre o assunto e reportavam que os raios solares decaiam na Irlanda, que tanto a Antártida quanto o Ártico estavam ficando mais escuros e que a luz no Japão, a suposta terra do sol nascente, estava na verdade diminuindo.

Dados revelam que nos últimos 50 anos a quantidade média de radiação solar que atingiu o solo caiu em 3% a cada década. Apesar de parecer pequeno, implica em conseqüências para as mudanças climáticas, energia solar e fotossíntese das plantas.

Outros estudos mostraram ainda que a radiação solar havia caído 10% nos EUA, cerca de 30% em partes da antiga União Soviética e 16% em partes das ilhas britânicas.

Apesar das últimas pesquisas sobre o assunto terem sido publicadas em revistas científicas há dois anos, o fenômeno continua nos céus esperando para que alguém o acompanhe atentamente.

Quem e como descobriu?

Em 1985, o pesquisador geográfico Atsumu Ohmura, do Instituto Federal de Tecnologia da Suíça, descobriu que os níveis de radiação solar haviam caído mais de 10% em três décadas. “Eu estava chocado. A diferença era tão grande que eu não conseguia acreditar”, disse.

Ohmura foi o primeiro cientista a publicar um estudo sobre o “escurecimento global”, em 1989. Claro, foi totalmente ignorado pela comunidade cientifica que andava se preocupando com o inverso – o aquecimento global.

Em 2001, o inglês Gerry Stanhill, em conjunto com Shabtai Cohen, publicou uma pesquisa que comparava os registros de raios solares em Israel nos anos 50 com os atuais. O pesquisador observou uma impressionante queda de 22% dos raios solares, que o deixou surpreso. Intrigado, ele foi em busca de dados similares de outros pontos do mundo, e encontrou a mesma história em todo local que procurava.

Eles coletaram todas as evidências disponíveis e provaram que, em média, os registros mostravam que a quantidade de radiação solar que alcançava a superfície da Terra tinha diminuído entre 0,23 e 0,32% em cada ano, entre os anos de 1958 e 1992.

Stanhill batizou o fenômeno de “escurecimento global” e, a sua pesquisa também foi recebida com ceticismo pela comunidade científica.

Porém naquele mesmo ano, o cientista climático Graham Farquhar, da Universidade Nacional da Austrália e seu colega Michael Roderick publicaram um estudo que cruzava dados sobre o escurecimento global com taxas de evaporação das chuvas na revista mais bem conceituada americana - a Science. Depois de mais de 20 anos da primeira observação, o escurecimento global finalmente ganhava destaque.

Farquhar utilizou um método completamente diferente para confirmar as conclusões de Stanhill. Estudos e mais estudos usando uma panela de metal cheia de água mostraram que as taxas de evaporação têm caído nos últimos anos. Este era um dos maiores mistérios da ciência climática, uma vez que, já constatado o aquecimento da Terra, esperava-se um aumento na taxa de evaporação.

Quando Farquhar comparou estes dados com os do escurecimento global, eles bateram perfeitamente. A redução na evaporação era causada pela menor quantidade de água que brilhava na superfície aquática. Foi então que os cientistas climáticos acordaram para o problema e começaram a tomar nota, apesar de alguns ainda se recusarem a aceitar, acusando a falta de precisão do equipamento de registro dos dados.

“É uma coisa extraordinárias que, por alguma razão, isto não penetrou nem mesmo nos pensamentos das pessoas que olham para as mudanças climáticas globais”, disse o Farquhar para o jornal britânico The Guardian, em uma reportagem de 2003.

O cientista atmosférico do Instituto Federal de Tecnologia da Suíça, Martin Wild, liderou um estudo publicado na Science em 2005 que mostra que houve um significativo escurecimento sobre a Terra até cerca de 1990, quando os dados sugerem que iniciou um processo gradual de “luminosidade”. Wild atribui o brilho atual ao bem sucedido esforço no controle da poluição.

“De 1960 a 1980, o escurecimento foi grande o suficiente para contrabalancear o aumento induzido dos gases do efeito estufa e diminuir as grandes ondas de radiação”, disse.

Um time liderado por Bruce A. Wielick, do Centro de Pesquisas Langley da Nasa, na Virgìnia, produziu relatos das medidas do satellite da agência Aqua que mostraram uma pequena queda na quantidade de luz refletida para fora da Terra desde 2000. Os resultados da Nasa conflitam nas medidas, sugerindo que a Terra teria recomeçado o processo em 2001.

Em um artigo publicado na Revista Science, James E. Hansen, do Instituto Goddard para estudos espaciais, de Nova York, e seus colegas dizem que muito do excesso de calor gerado pelo aquecimento global tem estado armazenado nos oceanos. Mesmo se mais nenhum gás do efeito estufa for liberado para a atmosfera, eles afirmam, a Terra ficará mais quente nas próximas décadas, uma vez que o calor dos oceanos será liberado.

Pesquisadores do Laboratório Nacional do Noroeste do Pacífico em Washington descobriram que a quantidade de luz que chegava na China caiu em 3,7 watts por jarda quadrada nos últimos 50 anos. As pesquisas foram publicadas no Geophysical Research Letters em 2006.

Como é medida?

A radiação solar é medida vendo quanto o lado de um prato preto aquece quando exposto ao sol, comparado com o outro lado, que está na sombra. É um equipamento relativamente simples e não existem maneiras de provar qual exatas são as medidas feitas 30 anos atrás. “Para detectar mudanças temporais você precisa de dados muito bons, senão estará apenas analisando a diferença entre dados de sistemas possivelmente recuperados (data retrieval systems)”, diz Ohmura.

No início de 2006, a Nasa abandonou um programa que poderia ter oferecido, de alguma maneira, evidências do fenômeno. O Deep Spack Climate Observatory foi criado para observar a luminosidade do sol sobre um lado da Terra durante longos períodos.

Segundo Robert Charlson, do Departamento de Ciências Atmosféricas da Universidade de Washington, em Seattle, o satélite poderia oferecer dados sobre o escurecimento global, assim como sobre o aquecimento. O aparelho foi construído e preparado para ser lançado em 2001, porém com os ataques terroristas e a perda da nave Columbia em 2003, o lançamento foi adiado.

O resultado foi que os pesquisadores estão limitados a fotos de satélites e instrumentos de leitura no solo.

Causa

Os cientistas suspeitam que o fenômeno seja causado pela poluição. Queima de carvão, petróleo e madeira, carros e usinas energéticas não produzem apenas gases invisíveis como o dióxido de carbono, principal responsável pelo Efeito Estufa, mas também minúsculas partículas de poeira, soot, componentes sulfúricos e outros poluentes.

Essa poluição atmosférica visível reflete a luz solar de volta ao espaço, não a deixando chegar ao solo. Além disso, ela muda as propriedades ópticas das nuvens. Nuvens poluídas contem um maior número de gotas do que as não poluídas.

Pesquisas recentes mostram que isto as faz refletir mais do que o normal, o que mais uma vez provoca reflexos dos raios solares para o espaço.

A pesquisadora Rachel Pinker, da Universidade de Maryland, também nos Estados Unidos, tem feito estudos baseados em imagens de satélites e argumenta que os números sugerem que algo esteja acontecendo, só não existem dados suficientes para saber o que é. "Isto pode ser o nível dos poluentes, mas também pode ser a interação de nuvens de aerosol ou instrumentos diferentes que estão fazendo as leituras”, disse em reportagem para o ABC News em 2006.

Conseqüências

Há sugestões de que o escurecimento está por detrás das secas da África subsaariana, o que acabou com milhares de vidas nos anos 70 e 80. Hoje se suspeita que a mesma coisa esteja acontecendo na Ásia, casa para mais da metade da população mundial.

“Minha principal preocupação é que o escurecimento global está causando um impacto destrutivo às monções asiáticas e estamos falando de bilhões de pessoas”, diz o professor de ciências climáticas e atmosféricas da Universidade da Califórnia, San Diego, Veerhabhadran Ramanathan.

O mais alarmante é que os cientistas podem ter subestimado o verdadeiro poder do efeito estufa. Eles sabem quanta energia extra tem sido mantida na atmosfera terrestre em função do dióxido de carbono que emitimos. O os surpreendem é que esta energia extra até agora resultou em um aumento de apenas 0.6º C.

A conclusão para muitos era de que o clima atual é menos sensível ao efeito do dióxido de carbono (CO2) que era, digamos, na era do gelo, quando um aumento similar de CO2 levaria a um aumento de 6º C.

Mas agora parece que o aquecimento dos gases do efeito estufa foi neutralizado por um forte efeito de resfriamento causado pelo escurecimento – na verdade um ou dois poluentes teriam cancelado um ao outro. Isto significa que o clima na verdade é mais sensível ao efeito estufa que se pensava anteriormente.

Se for isso, então temos más notícias, de acordo com Peter Cox, um dos modelares climáticos líderes do mundo. Do jeito que as coisas andam, os níveis de CO2 são projetados para crescer fortemente nas próximas décadas, enquanto existem fortes sinais de que as partículas poluentes têm sido controladas.

Ohmura diz que as imagens de satélite das nuvens sugerem que o céu se tornou ligeiramente mais limpo desde o início da década de 90 e isto vem sendo acompanhado por uma abrupta subida de temperatura. Ambos os fatos podem indicar que o escurecimento global está diminuindo, e isto pode estar ligado à redução geral da poluição atmosférica, através do declínio da indústria pesada em partes do mundo nos anos recentes.

Também é possível que o escurecimento global não seja inteiramente causado pela poluição atmosférica. “Eu não acredito que os aerossóis sozinhos poderiam causar tanto escurecimento global”, diz Farquhar.

Até as mais pessimistas previsões de aquecimento global precisariam de uma revisão dramática, pois com um aumento de 10º C nas temperaturas em 2100 em jogo, daria ao Reino Unido um clima como o da África do Norte, e deixaria muitas partes do planeta desabitadas.

BBC

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Cemitérios podem causar riscos ao solo e águas subterrâneas











Por Júlio Bernardes, da Agência USP

A instalação de cemitérios em locais com condições geológicas desfavoráveis pode provocar sérios riscos ao meio ambiente. "Devido ao processo de decomposição de corpos dispostos no subsolo, os cemitérios podem apresentar a potencialidade de comprometer a qualidade do solo e das águas subterrâneas", alerta a pesquisadora Ana Paula Silva Campos, que estudou o tema em sua dissertação de mestrado em Saúde Ambiental na Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP.

Na pesquisa, foram analisados estudos sobre contaminação e as normas ambientais para instalação e manutenção de cemitérios. "O produto da decomposição, conhecido como necrochorume (ou produto da coliqüação), é liberado pelo corpo durante seis a oito meses, sendo que cada cadáver pode gerar de 30 a 40 litros", explica. "Composto de 60% de água, 30% de sais minerais e 10% de substâncias orgânicas tóxicas (putrescina e cadaverina), além de carga patogênica, o necrochorume é mais viscoso que a água, de cor acinzentada ou acastanhada, odor forte e desagradável".

Se o solo dos cemitérios for poroso e permeável, o necrochorume pode vir a se mover e misturar com a água subterrânea, podendo tornar-se veículo de doenças, caso haja microrganismos patogênicos. "A contaminação pode vir a ocorrer pela ação de vetores químicos e microbiológicos que percolem com infiltração de chuvas em locais com nível de água menos profundo, ou onde haja inundação de sepulturas", ressalta Ana Paula.

Contaminação
"Apesar dos cemitérios antigos terem sido locados nas áreas altas e com lençol freático profundo, não havia instrumentos legais de controle e não foram levados em conta estudos geológicos e hidrogeológicos", explica a pesquisadora. "Ou seja, eles podem constituir-se em fonte de contaminação, causando alterações físicas, químicas e biológicas no solo e nas águas subterrâneas e superficiais que não estiverem devidamente protegidas ou que estejam em locais vulneráveis".

Análises de águas subterrâneas realizadas por outros pesquisadores em áreas de cemitérios indicaram, em casos específicos, a presença de microrganismos como coliformes totais, termotolerantes, bactérias heterotróficas, além de substâncias físicas e químicas como sólidos dissolvidos, nutrientes e cálcio, provavelmente oriundas do processo de decomposição. "Também foram detectados metais como alumínio, cobre, cromo, ferro, manganês e zinco, possivelmente oriundos da composição dos caixões ou do próprio solo", conta Ana Paula.

A pesquisadora observa que o solo tem capacidade de atenuação e autodepuração de poluentes, principalmente na zona não-saturada. "Fatores como condutividade hidráulica, granulometria, composição do solo, permeabilidade, nutrientes e aeração adequadas, podem favorecer a eliminação de microrganismos e inviabilizar condições oportunas de contaminação das águas".

A implantação de cemitérios deve considerar fatores como implantação geológica e hidrogeológica e operação técnica e sanitária adequadas, fixando faixas de proteção sanitária para garantir a qualidade das águas. "É necessário licenciar, fiscalizar, monitorar e acompanhar a atividade cemiterial rigorosamente, para prevenir e controlar a eventual poluição, além da utilização de técnicas de remediação para reutilização de áreas de cemitérios", alerta a pesquisadora.

Mais informações: (0XX11) 8196-0263, com Ana Paula Silva Campos. Pesquisa orientada pelo professor Wanderley da Silva Paganini

(Agência USP de Notícias)

sábado, 19 de janeiro de 2008

Desmatamento e urbanização contribuem para aumento da febre amarela, diz especialista


Por Paula Laboissière, da Agência Brasil









Segundo Inpe, desmatamento cresce na Amazônia

O Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) divulgará hoje (18/1) um novo alerta sobre desmatamento na Amazônia. As informações têm base em imagens captadas por satélites no último trimestre do ano passado e que indicam a derrubada de matas em ritmo acelerado, numa média de mais de 1.000 quilômetros quadrados por mês.

Informes parciais encaminhados pelo Inpe a representantes da área ambiental do governo sinalizavam nova pressão de desmatamento no Mato Grosso, que havia perdido para o Pará a liderança no ranking dos Estados da Amazônia que mais abatem árvores. Rondônia aparece na seqüência.

O governo estima que o desmatamento na Amazônia Legal não apenas parou de cair, como pode aumentar 10% no próximo levantamento consolidado, a ser divulgado no final do ano.

No Mato Grosso, novos focos de desmatamento estariam próximos a áreas de cultivo da soja, grão que registrou aumento de preços no ano passado. No Pará, a derrubada de floresta seria associada à expansão da pecuária. Em Rondônia, não há sinais claros de que o avanço do desmatamento tenha relação com a futura construção da hidrelétrica de Santo Antônio, a primeira do rio Madeira.

O Inpe avalia que o futuro da Amazônia vai depender do controle da expansão da pecuária no Pará, Estado que registrou o maior crescimento do rebanho no país. As culturas de soja e cana-de-açúcar teriam papel importante, porém indireto no desmatamento, ao ocuparem áreas de pasto e empurrarem a pecuária para a Amazônia.
(Com informações do jornal Folha de São Paulo)


O desmatamento intenso, a urbanização desordenada de áreas rurais e as conseqüentes mudanças climáticas decorrentes de todo o processo colaboram para que doenças como a febre amarela se alastrem não só no Brasil, mas também em um grande número de países em todo o mundo. A afirmação é do médico epidemiologista José Cássio de Moraes, da Santa Casa de São Paulo.

O último relatório divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta crescimento não apenas do número de casos de febre amarela como também do número de países atingidos pela doença nos últimos 20 anos. “Toda essa mudança do ecossistema, o aquecimento global, chuvas intensas, calor, tudo isso é um facilitador de doenças por vetores", disse o Moraes. Ele destacou a grande preocupação mundial com o que tais mudanças podem representar de aumento desse tipo de doença.

Segundo Moraes, existe ainda outro agravante: a grande dificuldade de controle da transmissão pelo mosquito Aedes aegypti: Além do fácil acúmulo de água em recipientes, o combate ao mosquito transmissor com inseticidas tem uma grande limitação – o produto se espalha facilmente e é necessária a visita de agentes de controle de casa em casa para um combate efetivo às larvas. “Isso é praticamente inviável. Tem uma dificuldade ecológica importante na transmissão de doenças por vetores”.

O epidemiologista lembrou que, no início do ano 2000, houve um aumento de casos de febre amarela similar ao que se registra atualmente no país – em viajantes que visitaram regiões turísticas durante o período de férias, sobretudo nos estados de Goiás e de Mato Grosso.

“Na passagem do milênio, houve várias excursões a locais considerados exotéricos, como a Chapada dos Veadeiros [em Goiás] e a Chapada dos Guimarães [em Mato Grosso]. Tivemos um aumento razoável de casos de febre amarela em viajantes que foram para essas regiões e não estavam vacinados.”

Segundo ele, a invasão de terras para a criação de trilhas ecológicas com fins comerciais, como é o caso de regiões em Goiás e também em Minas Gerais, provocam grandes alterações no ecossistema, que podem levar o mosquito haemagogus a substituir o macaco pelo homem. “Os macacos vivem nas copas das árvores. O ciclo se forma e se mantém restrito ali. Na hora em que as árvores são destruídas e surge a presença de um outro primata, o ser humano, esse haemagogus vai substituir o macaco pelo homem”.

Moraes alerta que, se a expansão urbana em áreas rurais não for ordenada e equilibrada, a mudança pode acarretar não só o aumento de casos de febre amarela em escala mundial, como também de outras doenças transmitidas por vetores, como a leishmaniose e a malária. “Existe toda essa questão de desequilíbrio e ocupação desordenada, que traz este aumento de casos”.

Ele acredita que o quadro de febre amarela no Brasil é de uma epidemia localizada em população não-vacinada, que mora em regiões rurais ou que entra em contato com a mata onde podem ser encontrados macacos portadores do vírus da doença.

De acordo com o epidemiologista, a situação endêmica ocorre quando existe um número bastante reduzido de casos. Os surtos são registrados apenas em áreas restritas, como uma comunidade ou uma escola. Já o alastramento de casos é caracterizado como epidemia. “Qualquer caso que exceda aquele padrão de poucos casos já se considera epidemia”, afirmou Moraes.
(Foto: Divulgação)
(Agência Brasil)

O Aëdes aegypti, pode transmitir a dengue e também a febre amarela

http://www.cva.ufrj.br/vacinas/fam-v.html
CVA
Centro de Vacinação de Adultos

Vacina contra a febre amarela (17D)
Fernando S. V. Martins & Terezinha Marta P.P. Castiñeiras
A vacina contra a febre amarela (17D) é elaborada com o vírus vivo atenuado, sendo produzida inclusive no Brasil (Rio de Janeiro). Em 95% das pessoas o efeito protetor (imunidade) ocorre uma semana após a aplicação.Confere imunidade por, pelo menos, 10 anos (provavelmente por toda a vida). Pode ser utilizada a partir dos 9 meses de idade. É aplicada por via subcutânea na região deltóidea (braço).
O Ministério da Saúde, desde 1998, está intensificando a vacinação contra febre amarela (anti- amarílica), que está incluida nos Calendários de Vacinação. A vacinação está prevista para crianças a partir de 9 meses de idade. A vacina é gratuita e está disponível exclusivamente na Rede Pública.
Os municípios com risco potencial para reintrodução da febre amarela (ou seja, todos onde ocorre dengue) devem procurar facilitar o acesso à vacinação, com prioridade para viajantes que tenham como destino as áreas de risco. O frasco tem 5 doses, o que facilita o atendimento em locais com demanda pequena. Nas cidades maiores, um certo número de Centros Municipais de Saúde (CMS), proporcional ao número de habitantes, deve estar apto a aplicar a vacina todos os dias para evitar um risco desnecessário de reintrodução da febre amarela.
No Rio de Janeiro, a vacina está disponível em todos os Centros Municipais de Saúde. Os Centros Municipais de Saúde, em geral, aplicam a vacina apenas em dias e horários pré-determinados, o que dificulta a vacinação de viajantes. Em todo o Brasil, a emissão do Certificado Internacional de Vacinação é feita apenas nos Postos da Anvisa. A vacina contra a febre amarela deve deve ser feita, pelo menos, dez dias antes da viagem.
As pessoas vacinadas nos Centros Municipais de Saúde recebem o Cartão Nacional de Vacinação, que é válido em todo território brasileirol. Se posteriormente necessitarem do Certificado Internacional deverão procurar um dos Postos da Anvisa munidas do Cartão Nacional. (ou seja, na maioria das vezes são obrigadas - sem nenhuma razão plausível - a procurarem dois locais diferentes apenas para obterem um documento que tem por base o emitido nos CMS). O Certificado tem validade por 10 anos, a contar a partir do décimo dia da primeira aplicação da vacina. Nas vacinações seguintes (feitas a cada 10 anos), o Certificado é válido no mesmo dia da aplicação, se apresentando junto com o anterior. Para a emissão do Certificado Internacional é imprescindível assinatura do viajante (o que torna obrigatória a sua presença) e a apresentação de:
• Cartão Nacional de Vacinação com data da administração da vacina, lote da vacina, carimbo e assinatura do profissional que realizou, e identificação da unidade de saúde.
• Documento de identidade oficial* com foto (carteira de identidade, passaporte, carteira de motorista válida etc).
• Certidão de Nascimento, para menores de idade.
* = exceto para a população indígena, que está dispensada da apresentação de documento de identidade.
Efeitos colaterais
A vacina geralmente produz poucos efeitos colaterais. É utilizada há mais de sessenta anos e efeitos colaterais graves (incluindo óbitos) são raros. Cerca de de 5% das pessoas pode desenvolver, 5 a 10 dias depois da vacinação, sintomas como febre, dor de cabeça e dor muscular, sendo infrequente a ocorrência de reações no local de aplicação. Reações de hipersensibilidade são muito raras e geralmente atribuídas às proteínas do ovo contidas na vacina. A ocorrência de encefalite é raríssima, tendo a maioria dos casos ocorrido em crianças vacinadas com menos de cinco meses de idade.
• Reação alérgica grave (anafilática) ocorre em aproximadamente 1 em cada 131.000 doses aplicadas.
• Reações no sistema nervoso central (encefalite) – cerca de 1 caso para cada 150.000 - 250.000 doses.
• Comprometimento de múltiplos órgãos com o vírus da febre amarela vacinal - aproximadamente 1 caso para cada 200.000 - 300.000 doses. Acima de 60 anos a incidência desta complicação é maior (cerca de 1 caso para cada 40.000 - 50.000 doses). Mais da metade dos indivíduos com febre amarela vacinal evoluem para o óbito.
Contra-indicações
• Crianças com 4 meses ou menos de idade, devido ao risco de encefalite viral (contra-indicação absoluta).
• Gestantes, em razão de um possível risco de infecção para o feto.
• Pessoas com imunodeficiências resultante de doenças ou de terapêutica: infecção pelo HIV, neoplasias em geral (incluindo leucemias e linfomas), Aids, uso de medicações ou tratamento imunossupressores (corticóides, metotrexate, quimioterapia, radioterapia), disfunção do timo (retirada cirúrgica ou doenças como miastenia gravis, síndrome de DiGeorge ou timoma).
• Pessoas que tenham alergia a ovos, uma vez que a vacina é preparada em ovos embrionados.
• Pessoas com alergia a eritromicina, um antibiótico que faz parte da composição da vacina.
• Pessoas com alergia a ghelatina, que faz parte da composição da vacina.
• Pessoas com antecedentes de reação alérgica a dose prévia da vacina anti-amarílica.
A decisão de vacinar pessoas que tenham contra indicações, inclusive crianças entre 5 e 9 meses de idade e mulheres amamentando (flavivírus podem ser eliminados junto com o leite), deve ser feita em bases individuais pelo médico. Devem ser analisados os riscos de aquisição da doença e os da imunização. É prudente adiar a vacinação de pessoas com febre (até que esta desapareça), casos de doenças agudas ainda sem diagnóstico e doenças crônicas descompensadas. Deve-se, em razão de possível interferência na indução de imunidade, postergar a aplicação em pessoas que fizeram uso recente de vacinas com vírus vivo atenuado (MMR, sarampo, rubéola, varicela) e também de vacina contra a cólera (não disponível no Brasil), respeitando-se um intervalo de 4 semanas. Recomenda-se também que as mulheres que tenham sido vacinadas evitem a gravidez por no mínimo 30 dias.

O Cartão de Vacinação é um documento de comprovação de imunidade, sendo responsabilidade das Unidades de Saúde emití-lo ou atualizá-lo por ocasião da administração de qualquer vacina. Deve ser guardado junto com documentos de identificação pessoal. É importante que seja apresentado nos atendimentos médicos de rotina e fundamental que esteja disponível nos casos de acidentes.
Atualizado em 30/12/2007, 09:59 h
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sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Conferência em Bali aprova roteiro que vai definir substituto de Protocolo de Quioto

Luana Lourenço
Enviada especial

Bali (Indonésia) - Em uma sessão plenária surpreendente, depois de uma madrugada de negociações, os 190 países da Convenção-Quadro da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre Mudanças Climáticas aprovaram hoje (15) o documento final com os resultados de 13 dias de trabalho em Bali, um dia a mais que o previsto inicialmente.

O chamado Mapa do Caminho define um roteiro com os princípios que vão guiar as negociações do regime global de mudanças climáticas, que sucederá ao Protocolo de Quioto.

No início da sessão, a delegação chinesa anunciou que se recusaria a participar das decisões no plenário porque negociações paralelas ainda estariam ocorrendo fora do local.

O presidente da 13ª Conferência das Partes sobre o Clima (COP-13), o ministro do Meio Ambiente da Indonésia, Rachmat Witoelar, suspendeu a sessão e, por mais de uma hora, o bloco G-77 (grupo dos países em desenvolvimento) ficou reunido com a China.

Na volta ao plenário, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, que decidiu voltar a Bali depois da falta de resultados até ontem, fez apelos para que os delegados entrassem em acordo e chegassem a um consenso sobre o Mapa do Caminho.

Ele disse estar "decepcionado com a falta de progresso" e acrescentou que, apesar dos esforços durante a semana, os negocidores precisavam "terminar os trabalhos".

O impasse principal foi criado porque o G-77 e a China não aceitaram um texto que cobrava responsabilidades mensuráveis e verificáveis para os países em desenvolvimento na redução de gases de efeito estufa, sem deixar claro o papel dos países desenvolvidos no financiamento dessas ações.

A Índia propôs uma emenda para alterar o texto. Recebeu o apoio da União Européia e de países em desenvolvimento, mas nao convenceu os Estados Unidos.

Depois de discursos que cobraram o apoio da delegação norte-americana ao acordo, a secretária de Estado para a Democracia e Assuntos Globais dos Estados Unidos, Paula Dobriansky, anunciou que o país aceitaria a reivindicação dos países em desenvolvimento.

"Viemos a Bali porque queremos avançar. Nossa missão é comum", afirmou a secretária, antes de a decisão ser aplaudida pelo plenário.

Nos próximos dois anos, o Mapa do Caminho será discutido por um grupo de trabalho criado para encaminhar as negociações.

Pelo cronograma estabelecido no texto, os 190 países da convenção terão até 2009 para definir o substituto do Protocolo de Quioto. Ou seja, para definir qual será o mecanismo global de mudanças climáticas após o final do primeiro período de compromisso do acordo, em 2012.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Legislação definirá rotulagem e certificação de produtos orgânicos

Paulo Montoia
Repórter da Agência Brasil

São Paulo - A regulamentação dos alimentos orgânicos, que está em vias de ser enviada à Casa Civil pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, é considerada importante para o setor porque definirá, entre outros pontos, a rotulagem de produtos orgânicos para a venda e um selo federal de conformidade orgânica. O selo e os rótulos poderão ser aplicados também a outros produtos que não alimentos, por exemplo roupas, tênis e calçados produzidos com algodão, couro e borracha orgânicos.

O selo federal e a rotulagem serão a representação mais visível da regulamentação do setor. As empresas, cooperativas e certificadoras de produção orgânica esperam que ele ajude a orientar o consumidor na hora da compra e aumentar as vendas. Foi o que ocorreu na Europa, em meados dos anos de 1990.

Atualmente, o consumidor brasileiro pode encontrar nas prateleiras, entre produtos importados ou produzidos no país, os selos das cinco correntes internacionais dominantes de produção orgânica certificada, conforme seus princípios e origem histórica. E a rotulagem de orgânicos mistura-se à de alimentos integrais, macrobióticos, naturais em geral e outros. Há confusão de orgânicos principalmente com os rótulos “caipira” (para ovos e frangos) e hidropônico, que é quase o oposto de orgânico, uma vez que a adubação desses alimentos frequentemente é feita apenas com adubos químicos.

De acordo com a Instrução Normativa 16, de 2004, haverá dois rótulos: o de produto orgânico, para alimentos ou produtos que contenham pelo menos 95% de componentes orgânicos (excluídos água e sal, no caso de alimentos) e o de produto com ingredientes orgânicos, para os que contiverem “pelo menos 70% de ingredientes orgânicos”. Essa rotulagem é a mesma adotada pela União Européia, em vigor desde 1993.
Já o selo federal estará definido apenas no projeto de lei que está tramitando entre os ministérios, para ser enviado à Casa Civil. Segundo Roberto Mattar, chefe de Divisão de Mecanismos de Garantias de Qualidade Orgânica do ministério da Agricultura, o governo federal concederá o selo às empresas e cooperativas credenciadas, não aos produtos. De acordo com Rogério Dias, coordenador de Agroecologia do ministério, esse selo também será regulamentado depois e sua forma final provavelmente será escolhida através de um concurso público.

Tereza Cristina de Oliveira Saminez, responsável pelo Serviço de Normas Técnicas e substituta da mesma coordenação do ministério, explica que o selo de credenciamento federal deverá ser obrigatório em toda a cadeia de revendas de produtos orgânicos, ou seja, supermercados, hipermercados, quitandas e outros estabelecimentos. Ele não será obrigatório para a venda direta do produtor ao consumidor.

O poder de mudança do consumo consciente

16/01/2008
Por Ricardo Voltolini, da Revista Idéia Socioambiental
No final de 2007, em entrevista a esta coluna, o vice-presidente do IPCC (Painel Intergovernamental Sobre Mudanças Climáticas) sentenciou do alto da sabedoria de quem acabara de ganhar o Prêmio Nobel da Paz: “O atual modelo de economia de mercado provou-se insustentável. Ou as pessoas e empresas mudam suas maneiras de consumir e produzir ou o Planeta poderá chegar, em 2030, ao seu temido ponto sem volta”, disse em defesa da idéia de que falta senso de urgência para uma reeducação de valores e práticas.

Recortada assim, em tom alarmista, esta mensagem pode parecer inadequada para um artigo de início de ano. Mas aqui ela tem uma finalidade específica: chamar a atenção para a responsabilidade que cabe a cada um de nós na construção de um modo de vida mis sustentável. Início de ano, como se sabe, representa um momento de transição de ciclo. Propício para “balanços”, enseja revisões do que foi e do que deixou de ser feito e abre a possibilidade corrigir rumos, reprogramar sonhos ou tomar atitudes tantas vezes adiadas apesar de claramente vantajosas – a dieta saudável, o curso de MBA, o período sabático, a compra de um imóvel ou o projeto de ter filhos.

O nascer de um novo ano é, na essência, um tempo de esperança em que se permite querer mudar. Nada mais oportuno, portanto, do que recorrer á sua simbologia para propor uma reflexão baseada no enunciado de Munasinghe. “O quanto nós, brasileiros, estamos mudando modos de consumir diante da preocupante alteração do clima?”, é justo se perguntar.

O primeiro e mais óbvio indicador diz respeito à pegada ecológica, isto é, aos impactos que o nosso estilo de vida provoca no Planeta. A gravidade da atual situação impõe-nos o dever moral de reduzi-la ao máximo para que não esgotemos hoje a cota individual de recursos naturais que podemos legar aos nossos filhos e netos. Menos lembrado como fator de mudança é o uso pleno da capacidade que todos temos de influenciar as empresas, com decisões de consumo equilibradas e conscientes, que as punam ou as recompensem em decorrência de seus compromissos efetivos com a adoção de modelos mais limpos de produção e negócios.

Deixar o carro mais vezes na garage diminui a pegada ecológica e, por tabela, ajuda na solução do problema do clima. Se todos deixarmos de comprar um segundo ou terceiro carros fabricados exclusivamente para combustível fóssil, este ato forçará os fabricantes a reverem seus processos e produtos. A mudança necessária nada mais é do que a combinação de pequenos gestos de impacto individual com grandes gestos individuais de impacto coletivo. Quanto maior o nível de consciência no consumo, mais efetiva podem ser as contribuições para o desaquecimento da Terra.

Pesquisa do Market Analysis, feita em 2007 em 18 países, revelou que os brasileiros estão entre os mais preocupados do mundo com as mudanças climáticas. No entanto, 46% acham que um indivíduo pode fazer muito pouco diante de um problema tão grave.

Considerando as variáveis competência e capacidade para mudar o quadro, o interessante estudo identificou quatro grupos. O mais numeroso (40%), dos “mobilizáveis”, é formado por pessoas com bom nível de informação sobre o aquecimento global, alinhadas com a atuação das ONG´s, críticas em relação às empresas, mas que não desempenham necessariamente papel atuante em seu dia a dia. Apenas um em cada seis integrantes desse grupo, no entanto, pode ser classificado como consciente e mobilizado.

O segundo grupo, denominado “céticos alternativos”, reúne 38% de brasileiros muito bem informados sobre o problema, dispostos a adotar mudanças em seu estilo de vida e sensíveis á idéia de que é possível conciliar crescimento econômico com respeito ao meio ambiente. Eles acreditam que, individualmente, podem dar uma resposta mais clara do que sociedade como um todo. O terceiro grupo, dos “confiantes passivos” (12%) confia mais na sociedade do que em sua própria capacidade de mudar a situação. E o quarto grupo, da “retaguarda inoperante” (10%), não crê nem no potencial do indivíduo, nem no da sociedade. Ambos se caracterizam por uma postura desinformada e acrítica.

Como se pode ver por esses números, são grandes os desafios de mobilizar os brasileiros, fazendo com que percebam o poder de influência que tem o consumo consciente na mudança dos modelos de produção e estratégias de negócio. Que 2008 seja o primeiro ano no processo sugerido por Munasinghe de reeducação para valores e práticas mais sustentáveis. Afinal, o início de ano é sempre uma boa oportunidade para fazer o que precisa ser feito.ist

* Ricardo Voltolini é publisher da revista Idéia Socioambiental e consultor de Idéia Sustentável. E-mail: ricardo@ideiasocioambiental.com.br

(Envolverde/Idéia Socioambiental)